RR FU c 0 Rotary
Atuações silenciosas
Uma pergunta feita em 2007 é respondida dois anos depois
Maurício Boff*
Po. é uma das ilhas do arqui-
pélago do Delta do Jacuí. A região
está entre as menos favorecidas em
toda Porto Alegre. Ali vivem perto de
7.000 ribeirinhos que têm na pesca
nas águas turvas do lago Guaíba ou
na reciclagem do lixo o sustento das
famílias. A chefe de reportagem do
Correio do Povo havia me conferido
a missão de descobrir por que um
mamógrafo de R$ 200 mil estava
sendo doado para o posto de saúde
da comunidade da Ilha da Pintada. A
única informação que se tinha era que
o Instituto da Mama do Rio Grande
do Sul (Imama) estava envolvido na
iniciativa. A Unidade Básica de Saúde
dailha seria a única na capital gaúcha,
com exceção dos hospitais, a oferecer
exames gratuitos para o diagnóstico
do câncer da mama.
O CONVITE
Foi numa manhã fria de um sábado
qualquer do mês de julho de 2007
que tive meu primeiro contato com
o Rotary International e tudo o que
esta organização representa. Na-
quele dia, conheci Rudolf Nielsen,
membro do Rotary Club de Porto
Alegre-Bom Fim. Em quase meia
hora de conversa — e entre centenas
de fotos que ele tirava para registrar
o evento — veio o esclarecimento das
minhas dúvidas e da minha editora.
O projeto idealizado pelo Imama
para a compra do mamógrafo, a ser
instalado numa das regiões mais
pobres de Porto Alegre, fora finan-
ciado pelo RI. “Quanto dinheiro!”,
pensei. Nunca havia imaginado que
o emblema da roda nas cores azul e
18 Dezemero DE 2009
o Integrantes do IGE, entre eles, Maurício, são entrevistados por Paul
Dingeman na Community Television (CTV), em Saint Clair, Michigan, EUA
amarelo tivesse a ver com tamanha
contribuição social. Mal sabia que
dois anos mais tarde veria que aquilo
era apenas uma pequena parte de
toda a ação global rotária.
Nielsen me contou que fora líder
de um time de jovens profissionais que
participaram de um certo Intercâmbio
de Grupos de Estudos (IGE) a Nova
Jersey, nos EUA. Foi lá, durante o
programa, que ele garantiu o recurso.
“Há muita cooperação internacional
“Nunca havia imaginado
que o emblema da
roda tivesse a ver com
tamanha contribuição
social. Mal sabia que mais
tarde veria que aquilo
era apenas uma pequena
parte de toda a ação
global rotária.”
a ser estimulada, e nós (rotarianos)
estamos sempre dispostos”, senten-
ciou Nielsen. Pouco a pouco, descobria
mais o que era o RI, a presença da ins-
tituição no mundo e, especialmente,
a ajuda às comunidades de países em
desenvolvimento.
Ao final da conversa, a pergunta
que mudou minha vida: “Gostaria de
ir para a Índia este ano?”. Confesso que
sorri, porque achei que fosse brinca-
deira, e, sem tirar os olhos de minhas
anotações no bloco de notas, respondi:
“Claro. O que preciso fazer?”. “Tem
meu telefone. Converse comigo na
segunda-feira”, disse Nielsen, virando-
se para voltar a tirar fotos.
Fiz isso. O Rotary Club de Porto
Alegre-Bom Fim patrocinou-me como
candidato depois de eu preencher um
formulário em que atestei que não era
rotariano e que não tinha parentes liga-
dos à instituição. Colhi as assinaturas
necessárias, entreguei a documenta-
ção ao clube, o que leva um tempo, e
participei da seleção organizada pelo
distrito 4680. Mas em 2007 fui o